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Indústria Farmacêutica

IA-first, Human-always: o que o PharmaTech 5 revelou sobre o novo mapa das decisões em saúde

10 de setembro, 2026 · Digital Solvers by LLYC

capa-pharmatech5-com-subtituloCinco edições. Mais de uma dezena de palestrantes. Quatro painéis que não pouparam nem hype nem meias palavras.

Em agosto de 2026, o PharmaTech 5 reuniu mais de 130 líderes da indústria farmacêutica, profissionais de marketing e especialistas em dados — vindos de 55 indústrias farmacêuticas — no Auditório Sindusfarma, em São Paulo. O objetivo foi debater as forças invisíveis que estão redesenhando a jornada do paciente, a relação com os prescritores e os canais de comunicação da saúde.

Os quatro painéis foram conectados pela mesma pergunta, feita de ângulos diferentes: a indústria farmacêutica está presente onde as decisões de saúde estão acontecendo?

O mote da edição — IA-first, Human-always — não é uma afirmação sobre o futuro. É uma orientação para o presente: adotar a tecnologia de forma estratégica sem abrir mão do que só o humano sabe fazer.

Reunimos abaixo os principais pontos de cada painel.

Painel 1

A IA entrou na jornada do paciente pelo bolso, não pela porta do hospital

painel-1No Brasil, mais de 13 milhões de pessoas convivem com doenças raras. Em média, cada uma delas passa entre cinco e sete anos em uma peregrinação de consultas, exames e diagnósticos incorretos antes de chegar ao tratamento adequado. Com apenas 314 geneticistas no país para atender esse universo, a escassez de especialistas é uma realidade estrutural.

O que mudou nos últimos dois anos é que a inteligência artificial entrou nessa jornada — não pela porta dos hospitais, mas pelo bolso dos pacientes.

Pesquisa inédita conduzida pela LLYC em parceria com a Casa Hunter, apresentada no painel, mapeou o comportamento de pacientes com HPN (Hemoglobinúria Paroxística Noturna), Duchenne e Síndrome de Hunter nas principais plataformas de IA. Os números:

7 em 10

brasileiros com acesso à internet e histórico de doença rara já utilizam modelos de linguagem como ChatGPT, Perplexity ou Gemini antes da consulta médica presencial.

20 mi

consultas mensais sobre doenças raras realizadas nessas plataformas no Brasil.

58%

delas estão concentradas na fase de descoberta, quando pacientes e familiares ainda tentam, sem diagnóstico, entender o que está acontecendo com o corpo.

+35%

das respostas entregues pelos LLMs nas três doenças analisadas apresentaram alucinações: informações fabricadas com aparência de certeza, incluindo confusão entre diretrizes internacionais e critérios locais da Anvisa, omissão de etapas regulatórias e, em alguns casos, indicações de tratamentos inadequados para o contexto brasileiro.

O problema não é que a IA mente — é que ela não distingue o que sabe do que não sabe.

“A IA não é o Google. Ela entrega uma resposta única, com uma autoridade que o Google nunca teve. E isso muda tudo na jornada do paciente.”

Luiz Marcelo, Sócio-diretor · Digital Solvers by LLYC

“O médico virou o curador da verdade digital. Ele precisa desconstruir o que o paciente já decidiu antes de entrar na sala de consulta.”

Giuliana Gregori, Diretora de Healthcare · LLYC

O que isso significa para a indústria: a inteligência artificial já é um público estratégico. O mesmo esforço dedicado à formação de médicos e à parceria com associações de pacientes precisa, agora, incluir o trabalho ativo de alimentar os LLMs com informação correta, calibrada e regulatoriamente adequada. Esse campo tem nome: GEO — Generative Engine Optimization. Quem não começar a atuar nele hoje estará, em breve, ausente das respostas que mais importam.

Painel 2

Quando o médico se torna a segunda opinião

painel-2Levantamento apresentado no segundo painel mostrou que 85% dos pacientes chegam à consulta médica com pesquisas realizadas previamente em plataformas de inteligência artificial. Não se trata de curiosidade: trata-se de um reposicionamento do papel do médico. Em vez de ser a primeira fonte de informação, o profissional de saúde passou a ser, em muitos casos, a segunda opinião que o paciente recebe ao sentar na cadeira.

A pesquisa identificou três perfis de pacientes que chegam ao consultório com esse “preparo digital”:

  1. O Sherlock Holmes — pesquisou para testar, confrontar ou validar o médico.
  2. O colaborativo — quer construir um consenso e compartilha abertamente o que encontrou.
  3. O paciente de embate — chega convencido de seu próprio diagnóstico e busca confirmação, não escuta.

Em todos os casos, o médico acumula uma nova função que as faculdades raramente ensinam: desfazer crenças formadas por algoritmos, com empatia e sem perder a autoridade clínica.

“85% dos pacientes chegam à consulta já com informação de IA. O médico é, em muitos casos, a segunda opinião, na própria sala de consulta.”

Cássio Damacena, Especialista em Pesquisa de Mercado · Healthcare · IHEA

O painel também identificou a sycophancy — o viés de concordância intrínseco aos grandes modelos de linguagem — como um dos principais riscos do cenário. Plataformas de IA tendem a confirmar o que o usuário quer ouvir, em vez de corrigir premissas incorretas. Na saúde, esse comportamento pode retardar diagnósticos, estimular automedicação e criar falsas certezas em momentos de alta vulnerabilidade.

“A confiança na IA caiu 28% no último ano. Ainda bem. É bom que as pessoas comecem a entender que ela não responde absolutamente tudo.”

Vivian Raffaeli, Diretora de Marketing, Dados e Tecnologia · LLYC

No campo metodológico, um dos debates mais inovadores do evento: a pesquisa com audiência sintética. Estudos realizados pela LLYC com grupos formados por agentes de IA — calibrados para representar perfis reais de pacientes, cuidadores e médicos — alcançaram coeficientes de 90% a 95% de correlação com amostras humanas reais. Em um estudo de referência, 7 agentes sintéticos produziram resultados equivalentes aos de um painel com 1.500 participantes humanos. O modelo híbrido — base humana combinada com expansão sintética — emerge como a abordagem metodológica vencedora.

Do lado da prática clínica, o Dr. Tiago Szego, cirurgião bariátrico do Hospital Leforte, ilustrou a transformação no dia a dia: utiliza OpenEvidence para busca científica com embasamento acadêmico, transcrição de consultas por voz com apoio de IA e um CRM estruturado para gestão de pacientes. Um exemplo de como a tecnologia amplia a capacidade do médico sem substituí-lo.

“A gente está falando de IA, pessoal, como se fosse normal. Mas grande parte da população não tem acesso e não tem conhecimento.”

Dr. Tiago Szego, Hospital Leforte

Painel 3

Direct to Patient não é proibido no Brasil

painel-3A frase, dita diretamente do palco, sintetizou o argumento central do terceiro painel: a indústria farmacêutica brasileira carrega um mito que a paralisa. Enquanto as empresas aguardam clareza regulatória, o paciente avança — pesquisa, compra, decide e usa medicamentos com ou sem a presença da indústria nessa jornada.

A distinção conceitual proposta pelos palestrantes é fundamental:

O que a lei proíbe

O “Direct to Consumer” prescrito — comunicação promocional de medicamentos tarjados diretamente ao consumidor — é proibido pela RDC 96/2008. Não é interpretação, é lei federal. E a indústria, em sua maioria, parou aí: usou a proibição como fronteira total, quando na verdade ela delimita apenas uma parte do território.

O que ninguém proibiu

Programas de suporte ao paciente (PSPs), plataformas de aderência, educação terapêutica e serviços ao paciente não estão proibidos. O Direct to Patient é canal e serviço, não propaganda — opera em território diferente e legalmente permitido.

Os números do mercado de obesidade tornaram o custo da omissão mais concreto do que qualquer argumento regulatório. No Brasil, o mercado de medicamentos para obesidade movimenta cerca de R$ 40 bilhões — metade regulada, metade em circuitos paralelos. No primeiro trimestre de 2026, foram apreendidas 54 mil canetas emagrecedoras falsificadas. Onde a indústria cria fricção, o mercado paralelo oferece conveniência.

“A doença crônica não demanda a lógica do modelo de sistema de saúde que a gente tem hoje, que é o hospitalocêntrico. Ela é a lógica do cuidar.”

Dr. Fabio Moreira, Sindusfarma

“A última experiência do seu cliente em qualquer outro serviço é o mínimo que ele vai esperar de você.”

Paulo Crepaldi, Idealizador da ING Marketing & Training · Cofundador da Rocketbase Venture Studio

Pesquisa inédita conduzida pelo Sindusfarma em parceria com a Digital Solvers by LLYC e a Pesquise Mais, apresentada no painel, revelou que 94% das farmacêuticas já possuem alguma iniciativa de direct to patient. O desafio não é começar — é escalar com inteligência e com dados. A regulamentação do setor está em revisão (RDC 96/2008, RDC 44/2009 e Lei 15.537/2026), o que abre uma janela estratégica para as empresas posicionadas antes do fechamento da norma.

O painel encerrou com uma provocação sobre o próximo horizonte: o modelo “agent to agent” (A2A). Em um futuro próximo, agentes de IA criados pelos próprios consumidores negociarão diretamente com agentes das empresas farmacêuticas, sem intervenção humana no meio do caminho. Quando isso acontecer, a questão não será mais “como falar com o paciente” — será “como estar presente quando o agente do paciente tomar a decisão por ele”.

Painel 4

Antes de falar de canais, é preciso acertar a base

painel-4O Brasil tem hoje 773 mil CRMs ativos, mas apenas 678 mil médicos únicos. A diferença representa um erro de 14% — invisível para quem usa bases não depuradas e suficientemente grande para distorcer qualquer estratégia de marketing médico construída sobre ela.

Esse dado resumiu o ponto de partida do quarto painel: antes de falar sobre canais, formatos ou automação, a indústria precisa acertar a base.

No campo da demografia, os dados revelam uma medicina em transformação acelerada:

  • Pela primeira vez na história, o número de médicas mulheres superou o de homens no Brasil.
  • Mais de 62 mil novos médicos entraram no mercado em 2025 — ritmo que, projetado até 2035, deve levar o país a 1,15 milhão de profissionais ativos.
  • 53% dos médicos não possuem RQE (Registro de Qualificação de Especialidade), reflexo da democratização do acesso à medicina e das pressões financeiras que empurram recém-formados para o mercado sem especialização formal.

Cada uma dessas tendências tem implicação direta no marketing médico: o profissional mais jovem consome conteúdos mais curtos; a médica com filho pequeno tem horários de consumo digital distintos dos colegas; o generalista sem RQE tem necessidades de informação diferentes do especialista que a indústria historicamente priorizou. A abordagem de CRM que trata todos esses perfis com o mesmo e-mail genérico não é apenas ineficiente — é uma oportunidade desperdiçada de construir relacionamento com um público que cresce a 60 mil unidades por ano.

“Se a gente ainda está operando campanha como operava dois anos atrás, estamos pra trás. Tecnologia habilita — mas é preciso querer mudar.”

Cristina Machiavelli, Head de CRM e Multicanal · Biolab Farmacêutica

Ainda hoje, 40% dos médicos brasileiros não recebem visita de representantes da indústria farmacêutica. Para esse universo — que tende a crescer com a expansão do número de profissionais — o caminho é o digital, com canais construídos a partir de dados próprios e ativação por CRM. Os passos práticos apontados pelo painel: transição do modelo multicanal para o omnichannel, personalização por IA nos fluxos de relacionamento e uso de custom audiences em plataformas de mídia paga para alcançar médicos sem depender de lookalike genérico.

“Não é possível estudar médicos sem estudar sistema de saúde.”

Dr. Alex Jones Cassenote, epidemiologista e bioestatístico, doutor em Ciências pela USP

O painel encerrou com uma provocação que conecta dados e responsabilidade: um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostrou que informações falsas sobre saúde proliferam sete vezes mais do que conteúdos com embasamento científico. Nesse cenário, a indústria farmacêutica — única detentora de dados clínicos reais e referenciados — tem não só o direito, mas a responsabilidade de ocupar os canais onde médicos e pacientes estão buscando informação.

O fio que conecta os quatro painéis

Vivemos um momento de inflexão. A inteligência artificial deixou de ser uma promessa e passou a ser infraestrutura: já organiza buscas, responde perguntas médicas, orienta pacientes antes da consulta e começa a moldar o que médicos leem, recomendam e prescrevem.

Em todos os quatro painéis, a conclusão apontou para a mesma direção: o espaço existe. O que falta é decisão de ocupá-lo.

Seja alimentando os LLMs com informação regulatoriamente adequada (GEO), seja estruturando programas de direct to patient dentro do que a lei permite, seja depurando a base de dados médicos antes de investir em automação — em todos os casos, a janela está aberta agora.

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O Report PharmaTech 5 reúne os principais pontos debatidos ao longo da tarde, com os dados de cada painel e os perfis completos de moderadores e palestrantes.

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Sobre a Digital Solvers by LLYC

A Digital Solvers by LLYC é a vertical de saúde da LLYC, empresa global presente em 13 países e com 30 escritórios ao redor do mundo. Nasceu para responder a um desafio específico do setor: como usar marketing, tecnologia e dados para gerar resultados reais na saúde para médicos, pacientes e a indústria farmacêutica. A atuação é organizada em quatro pilares complementares: Marketing Solutions, Tech & AI, Data Driven Marketing e Digital Experiences.

Fale com a gente: contato@digitalsolvers.com

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